quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Responsabilidade Civil do Estado "versus" Rodovias
Aproveitando a matéria de Joseph Veríssimo sobre a má qualidade das rodovias estaduais, farei uma breve exposição sobre a Responsabilidade atribuída ao Estado pelos danos causados a terceiros em decorrência da péssima condição das estradas que estão sob a sua administração.
Por vezes, nos vemos obrigados a nos deslocar para outras localidades e o único meio que dispomos são as estradas e, ao transitar por elas, temos a sensação de total descaso e desrespeito do poder público para com a nossa integridade física e segurança, tendo em vista que o risco que corremos ao transitar por elas é muito grande e pouco se vê em ações do Estado para melhorar essas condições.
Entretanto, o que pouco se sabe é que o Estado é responsável civilmente pelos danos causados em decorrência da má conservação das rodovias sob a sua administração. Essa responsabilidade civil é de natureza objetiva. Em outras palavras, significa dizer que não interessa ao Poder Judiciário saber se houve ou não intenção ou culpa no ato ilícito praticado ou omitido pelo Poder Público.
Devemos saber que o Estado, nas suas atribuições administrativas, tem o dever de zelar e proporcionar plenas condições de trânsito seguro nas suas rodovias e, a partir disso assume a responsabilidade pelos acontecimentos lesivos decorrentes da sua conduta omissiva, negligente ou imprudente.
Esses resultados danosos podem ser exemplificados desde um iminente pneu estourado por buracos na estrada até um acidente envolvendo dois ou mais veículos que tenha resultado em mortes. No entanto, devemos atentar para a necessidade de estabelecer a relação entre o dano causado e as condições da estrada como fator fundamental para que se tivesse aquele resultado lesivo.
Pelo exposto, pode-se entender que além do caráter de problema político exposto pelo amigo Joseph Veríssimo, há também o caráter jurídico de reparação dos danos causados pela precariedade das nossas estradas estaduais, resultante de uma má administração nesse sentido.
terça-feira, 30 de novembro de 2010

Os planos de Sebastião Oliveira

O deputado estadual reeleito Sebastião Oliveira (PR) pode está sofrendo resistência dentro do próprio partido para voltar a ocupar uma secretaria no governo Eduardo Campos ll. Sebastião foi secretário de transportes e já deixou claro sua vontade de voltar a ocupar o primeiro escalão de Eduardo. Comenta-se, porém que seu nome não terá força para a vaga que cabe ao PR.
Há também a possibilidade do deputado candidatar-se a prefeito de Serra Talhada. Um comentário de Inocêncio causou muita agitação na terra de Lampião ao afirmar que o sobrinho teria intenção de disputar a prefeitura logo em 2012. Estão no páreo para ser o sucessor de Carlos Evandro o atual vice-prefeito, Luciano Duque, e o ex-prefeito Geni Pereira que passou para o lado de Carlos recentemente. A oposição ainda não tem possíveis candidatos definidos.
Nova regra para venda de antibióticos já está valendo
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu um mês de prazo para as farmácias se adaptarem às novas regras para vender antibióticos. A partir desta segunda-feira (29), quem descumprir a determinação vai pagar caro.
Jaime Brito, gerente geral da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa), explicou algumas questões da mudança. “Para comprar o antibiótico, agora tem que ter a receita em duas vias, com identificação do paciente e do médico, e retenção de uma via no momento da compra. É possível ter duas receitas, desde que respeite o prazo máximo de 10 dias, de uma para a outra. Os laboratórios têm seis meses para colocar uma observação nas bulas”, disse.
Em relação às farmácias, Brito também falou sobre as formas de punição. “A farmácia que não cumprir as normas comete uma infração sanitária e estará passiva de sanção. Pode ser uma reclamação ou uma multa, que pode ir R$ 2 mil a R$ 1,5 mi”, explicou.
Um dos motivos dessa nova norma é o uso indiscriminado do antibiótico, a automedicação, que pode gerar casos de microorganismos superresistentes, como a da bactéria KPC, por exemplo. “As pessoas, quando vão a uma UTI, já estão com resistências a alguns antibióticos. Houve um aumento acentuado da KPC nos últimos dias, mas está tudo sob controle. Não temos nenhum hospital com grandes números de casos. Hoje, temos apenas três antibióticos com capacidade de combater a KPC”, falou.
SERTÃO
Jaime Brito também falou sobre uma ação realizada no Sertão pernambucano, quando algumas farmácias foram vistoriadas. “Nós fizemos diversas ações pontuais no combate da comercialização ilegal dos remédios. Observamos um grande descontrole de medicamentos, o que nos remete a uma preocupação com a questão dos antibióticos”, afirmou.
Segundo o diretor da Apevisa, o número de pessoas envolvidas em ilegalidades foi muito alto. “De 33 estabelecimentos que fiscalizamos, tivemos que interditar 23. É um percentual muito grande de irregularidades, principalmente de medicamentos falsificados. Houve, inclusive, prisões pela Polícia Civil”, concluiu.
Da redação do blog de Alvinho Patriota
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Estado abre mão de R$ 340 milhões em impostos
Do Diario de Pernambuco
O projeto de lei que prevê o perdão de impostos, multas e outros débitos inscritos na Dívida Ativa do estado até o final de 2004 - em valores abaixo de R$ 10 mil - deve beneficiar, especialmente, os devedores de Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). De 64.254 das cobranças que serão anistiadas, caso a matéria seja aprovada na Assembleia Legislativa, mais de 90% dizem respeito a devedores de ICMS. Os 10% restantes são referentes ao IPVA e ao Imposto de Transmissão (ICD), além de outras cobranças, como empréstimos compulsórios e indenizações pagas a mais. Isso representa uma renúncia de receitas dos cofres estaduais de aproximadamente R$ 340 milhões.
O procurador geral do estado, Tadeu Alencar, nega que o perdão das dívidas seja uma forma de estimular o mal pagador e desprestigiar quem quitou seus débitos com o estado. Ele reconhece que projetos que renunciam cobranças são ´antipedagógicos e não estimulam o ambiente tributário saudável` que o governo Eduardo Campos (PSB) busca. No entanto, deacordo com Tadeu, os aspectos relevantes na matéria enviada à Assembleia são a recuperação de crédito público e o enxugamento de quase 50% dos processos prescritos que estão no Poder Judiciário.
Essa é de 1900 e lá vai o trem #2
domingo, 28 de novembro de 2010

Campanha do Diabo
Um senador está andando tranqüilamente quando é atropelado e morre. A alma dele chega ao Paraíso e dá de cara com São Pedro na entrada.
-'Bem-vindo ao Paraíso!'; diz São Pedro
-'Antes que você entre, há um probleminha. Raramente vemos parlamentares por aqui, sabe, então não sabemos bem o que fazer com você.
-'Não vejo problema, é só me deixar entrar', diz o antigo senador.
-'Eu bem que gostaria, mas tenho ordens superiores. Vamos fazer o seguinte: Você passa um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Aí, pode escolher onde quer passar a eternidade.
-'Não precisa, já resolvi. Quero ficar no Paraíso diz o senador.
-'Desculpe, mas temos as nossas regras. '
Assim, São Pedro o acompanha até o elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno. A porta se abre e ele se vê no meio de um lindo campo de golfe. Ao fundo o clube onde estão todos os seus amigos e outros políticos com os quais havia trabalhado. Todos muito felizes em traje social. Ele é cumprimentado, abraçado e eles começam a falar sobre os bons tempos em que ficaram ricos às custas do povo. Jogam uma partida descontraída e depois comem lagosta e caviar. Quem também está presente é o diabo, um cara muito amigável que passa o tempo todo dançando e contando piadas. Eles se divertem tanto que, antes que ele perceba, já é hora de ir embora. Todos se despedem dele com abraços e acenam enquanto o elevador sobe. Ele sobe, sobe, sobe e porta se abre outra vez. São Pedro está esperando por ele.
Agora é a vez de visitar o Paraíso.
Ele passa 24 horas junto a um grupo de almas contentes que andam de nuvem em nuvem, tocando harpas e cantando. Tudo vai muito bem e, antes que ele perceba, o dia se acaba e São Pedro retorna.
-' E aí ? Você passou um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Agora escolha a sua casa eterna.' Ele pensa um minuto e responde:
-'Olha, eu nunca pensei .. O Paraíso é muito bom, mas eu acho que vou ficar melhor no Inferno.'
Então São Pedro o leva de volta ao elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno.
A porta abre e ele se vê no meio de um enorme terreno baldio cheio de lixo. Ele vê todos os amigos com as roupas rasgadas e sujas catando o entulho e colocando em sacos pretos. O diabo vai ao seu encontro e passa o braço pelo ombro do senador.
-' Não estou entendendo', - gagueja o senador - 'Ontem mesmo eu estive aqui e havia um campo de golfe, um clube, lagosta, caviar, e nós dançamos e nos divertimos o tempo todo. Agora só vejo esse fim de mundo cheio de lixo e meus amigos arrasados!!!'
O diabo olha pra ele, sorri ironicamente e diz:
-'Ontem estávamos em campanha. Agora, já conseguimos o seu voto...'
Leitores querem Paulo, mas se dividem quanto a alianças
A enquete mostrou que os leitores querem que Paulo seja candidato mas não estão tão certos quanto a alianças. A maioria, 50%, não deseja aliança das oposições. Já 42% aceitam a aliança se Paulo for o candidato a prefeito. Apenas cerca de 4% desejam a aliança com Lula sendo candidato e os outros 4% se dizem a favor da aliança independente de candidato.
PS.: A percentagem correta dos que "Tem que se aliar" e dos "Pode ser, com Lula prefeito" é 4% já que se fosse 3% a soma não daria 100%.
No Ceará se não solucionar problema na saúde não faz festa
A União, o governo estadual do Ceará e o município de Fortaleza estão proibidos de gastar dinheiro público para promover festas e fazer propagandas institucionais enquanto não solucionarem o problema da fila de espera para cirurgias eletivas ortopédicas de alta complexidade em dois hospitais da capital cearense. A decisão foi tomada pelo juiz José Eduardo Vilar Filho, que julgou ação civil pública do Ministério Público Federal. De acordo com a decisão, mais de 2.400 pessoas aguardam na fila por esse tipo de cirurgia na cidade.
Os médicos e a realidade da saúde pública
Por Silvio Rodrigues
Após a aprovação da Constituição Brasileira, tivemos grandes conquistas sociais. O SUS, que mudou de forma radical a configuração da atenção à saúde no Brasil, teve através da reforma sanitária, que contou com a participação efetiva do movimento médico, a consolidação da cidadania no nosso país. Sabemos que o SUS ainda é um projeto inconcluso. A saúde no Brasil, da atenção básica ao serviço terciário, apresenta graves problemas.
As responsabilidades inerentes ao financiamento nas esferas federal, estadual e municipal não estão sendo cumpridas ou vem sendo aplicadas de forma inadequada. Os municípios são os que menos arrecadam e mais se responsabilizam pela aplicação em saúde. Mesmo assim, vários deles não chegam ao teto mínimo definido por lei. Não existe um apoio, até mesmo do ponto de vista técnico, do governo federal e do Estado aos Municípios.
A superlotação dos hospitais públicos e ausência de leitos em UTI para a população menos favorecida é a conseqüência dessas políticas inadequadas. Transportando esta realidade para o trabalho médico, encontramos vínculos precários, caracterizado por pagamentos por empenho e até mesmo por acordos verbais, burlando de forma escandalosa as leis trabalhistas e fragilizando o papel do médico no município. Aliado a má remuneração e aos vínculos precários, a estrutura e o abastecimento das unidades de saúde são pífias em todos os níveis de atenção. Visitando várias unidades de saúde estaduais e municipais, muitas por denuncias dos médicos, confirmamos esta realidade. Encontramos várias unidades passíveis de interdição. A novidade encontrada nos serviços de saúde é a intervenção dos gestores no trabalho e na autonomia do médico maculando nosso Código de ética Médica.
A classe médica no Brasil vive uma realidade adversa. A sobrecarga de trabalho é o reflexo da falta de investimento do poder público que se ausentando da sua responsabilidade deixa o profissional médico atuando além dos seus limites físicos e emocionais. A baixa remuneração, a defasagem dos honorários médicos e a interferência de planos de saúde na relação médico - paciente na medicina suplementar obriga – nos a escalas exaustivas de trabalho. O profissional médico de hoje possui três a quatro empregos, interferindo diretamente na sua qualidade de vida. As doenças profissionais fazem parte do nosso dia-a- dia.
O médico tem o papel fundamental na sociedade e na saúde pública. Somos aproximadamente 350 mil médicos no país, todos necessários e imprescindíveis. Nossa luta se confunde com a luta do povo por melhores condições de saúde reduzindo, através do acesso universal a saúde, as desigualdades sociais. Temos que atuar conjuntamente com nossas entidades representativas exigindo, outra realidade no modelo e das condições estruturais.
Silvio Rodrigues é presidente do Sndicato dos Médicos de Pernambuco
sábado, 27 de novembro de 2010

Entrevista com o Governador Eduardo Campos

Ele foi o governador mais bem votado do país e comanda o partido que mais cresceu nos últimos anos, ultrapassando até o PMDB em número de governos estaduais. Venceu em todos os municípios do Estado - em mais de metade deles com mais de 90% dos votos. No comando de uma aliança de 15 partidos, tem apenas quatro deputados declaradamente de oposição numa Assembleia Legislativa de 49 cadeiras.
Um dos pilares do governo Luiz Inácio Lula da Silva nas crises políticas do fim do primeiro mandato, o governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), diz que a receita para se blindar a gestão Dilma de turbulências é manter o prumo da economia e acenar para os valores da classe média que se expressaram na votação da candidata derrotada do PV, Marina Silva. São valores, diz, que demandam condução republicana da máquina pública, compromisso com a liberdade de imprensa e meritocracia na gestão do Estado.
Aos 45 anos, pai de quatro filhos, Campos é casado com a economista Renata, namorada da adolescência com quem mora na mesma casa há 20 anos. A seguir, a entrevista ao Valor, concedida na sexta-feira, num restaurante em Olinda.
Valor: O PSB tinha duas Pastas e uma expressão eleitoral mais reduzida. Agora o partido cresceu e ganhou expressão nacional. Como isso vai se refletir no ministério?
Eduardo Campos: Tenho convicção de que Dilma sabe a qualidade da aliança que nós temos com seu projeto porque viu a relação do PSB com o presidente Lula nas horas boas do governo, mas sobretudo nas horas difíceis. Fizemos uma aposta estratégica no êxito do governo e fomos o partido da esquerda brasileira que mais cresceu. Nossa preocupação não é a participação quantitativa, mas qualitativa. Queremos ser ouvidos, participar das decisões, discutir projetos inovadores para a gestão pública que estamos desenvolvendo em Estados e municípios e podem ser aproveitados pelo governo.
Valor: Mas o senhor não recebe pressão do partido para negociar mais espaço no governo?
Campos: Os seis governadores do PSB sabem o quanto é importante ter bons aliados quando se vai formar equipe porque, se a gente transformar a montagem da equipe numa feira livre, não vai ter resultado. Fiquei muito feliz em ver Dilma colocar com todas as letras que vai apostar na gestão, exigir currículo, experiência e padrão de conduta de ministros, secretários executivos e diretores de empresa. A esquerda levou uma bandeira muito importante para a Constituinte, que foi o concurso público. Era uma aposta para acabar com o pistolão. Agora precisamos avançar e garantir a meritocracia também nos postos de gestão do serviço público.
Valor: E como se faz isso com o PMDB?
Campos: Quem tem que responder é Dilma, mas há quadros no PMDB que tiveram gestões consideráveis em prefeituras e governos estaduais. Agora, é preciso construir uma outra relação com os partidos. E não só com o PMDB, mas com o PT também e com todos os partidos da aliança. A regra não pode ser 'leva cargo quem grita mais'. A gestão pública tem que ser blindada. Por que um partido quer um fundo de pensão?
Valor: Ninguém grita na montagem do seu secretariado?
Campos: Chamo o secretário e digo: a equipe é sua. Não indico técnicos nem assessores. Não fico empurrando ninguém para os gabinetes. Agora, as metas da secretaria não são do partido. São do governo. E não tem três governos. É um só. Todo mês monitoramos o cumprimento das metas e eu não alivio. Digo ao secretário: ou funciona com seus escolhidos ou saem você e os incompetentes. Aprendi um pouco com o Fernando Henrique. Ele deu Transportes para o PMDB, mas não botou nenhum tucano no Dnit. Se ficar indicando gente, quando der problema o ministro já sabe a quem atribuir.
Valor: Como é que o senhor faz o monitoramento?
Campos: Reúno os secretários numa sala com três telas: uma com a ata da última reunião, outra com o objetivo e outra com a ação de governo. Uma tela vai mostrar, por exemplo, que no acesso à cidade de Jucati só se cumpriram 15 dos 20 quilômetros. Um secretário vai dizer que faltou a licença ambiental. E eu vou ver pela tela da ata que na reunião passada havia um prazo de 30 dias para essa licença. Quem me ajudou a montar isso foi o IDG do Jorge Gerdau. Foram uns 70 jovens com MBA, que nunca tinha visto na vida, que montaram os cronogramas de obras, com indicadores de impacto e de resultados. Tem intranet própria só para esses acompanhamentos. São ferramentas de gestão próprias de empresas e contra as quais meu campo político, às vezes, tem preconceito, acha que é neoliberal, capitalista, mas, na verdade, são essenciais para transformar a despesa ruim em despesa boa.
Valor: E a reação dos partidos aliados a essa cobrança?
Campos: A fiscalização do poder está sendo feita com muita energia e de maneira muito mais sistêmica e orgânica por blogs, imprensa, ministério público, tribunal de contas, audiências públicas e ouvidorias. A crise da representação política, que é mundial, vem da dificuldade de se compreender isso.
Valor: Mas não são os partidos que têm o poder de bloquear um governo no Congresso?
Campos: Os parlamentares também estão sentindo o impacto dessa sociedade mais ativa na fiscalização. É preciso conhecer as motivações desses parlamentares. Pegue, por exemplo, um cara que acordou de madrugada na segunda-feira em Salgueiro, viajou quatro horas de carro para pegar um avião. Quando chega em Brasília já faz mais de nove horas que acordou. A rádio da cidade liga. 'O deputado vai votar o quê hoje?' Ele não sabe. Vai procurar o líder e ele está no Palácio. O ministro é uma visagem. Não tem a menor chance de encontrá-lo. E aí na quarta-feira quando ele chega ao gabinete já estão lá quatro ou cinco prefeitos querendo liberar recurso e ele não conseguiu falar com o líder e nem sabe onde fica o ministério.
Valor: É o chamado baixo clero...
Campos: O que nem todo mundo conhece é a pressão sobre esse deputado do baixo clero. Seu eleitor quer saber o que ele vai levar para o município. Acho que se devia dar mais peso à emenda do parlamentar do que àquelas arregimentadas pelos líderes. Essas emendas de bancada são maiores e quando dá confusão ninguém sabe de onde veio. Muita gente tem uma visão preconceituosa em relação às emendas parlamentares, mas é possível incluir essas emendas na programação de investimentos dos ministérios e tratá-las com mais decência.
Valor: Isso é suficiente para manter uma base coesa no Congresso?
Campos: Faria um orçamento impositivo para a emenda individual, com o atendimento dessas reivindicações regionais em programas para escola, saúde e saneamento que coubessem na realidade brasileira. Você libera a emenda a partir dos programas do ministérios. E aí se ganha a base, esses 250 ou 300 parlamentares que têm muito mais relação com seu eleitor do que com os líderes de seus partidos.
Valor: Basta para conter o apetite dos partidos pelos ministérios?
Campos: Não faço indicação nem dou cargo, mas prestigio o parlamentar com ações para o município dele. De governo e de oposição. Tem muita UPA [Unidade de Pronto Atendimento], muita escola técnica que saiu do papel assim. Você primeiro cria o programa no Executivo e depois abre para as emendas. Se eu tenho R$ 10 milhões para fazer três escolas de tempo integral e chega um deputado e coloca R$ 2 milhões em emendas consigo fazer mais uma. Levo o deputado na inauguração e o prestigio. Como cada escola dessas tem 2 mil alunos ele já tem um discurso para a cidade. Isso é muito mais importante do que lotear o governo. Você acaba empregando uma pessoa que, se for incompetente, pode acabar atrapalhando o Executivo e, quando chegar a eleição, esse aliado pode até se bandear para quem lhe arrumar um cargo melhor.
Valor: Como está o projeto da Frente Ampla em que o PSB teria uma participação importante?
Campos :O presidente Lula sempre defendeu uma tese que não tinha grande audiência em setores importantes do PT, PSB, PCdoB e PDT. Ele não entendia porque nós éramos tantos partidos. Por ele seríamos um só. Ele tem uma relação com todos os nossos partidos e muita intimidade com a tese, a história, os quadros e a direção dos partidos. Somos herdeiros de todo esse conjunto de partidos que, de certa forma, vem de três grandes origens, dos partidos comunistas, dos socialistas da esquerda democrática e dos trabalhistas. Apesar desse conjunto, a gente não construiu uma frente no estilo do que o Uruguai em outras circunstâncias históricas foi capaz. Isso está posto na mesa para ser discutido no médio e longo prazos.
Valor: Quem cabe nessa frente? A questão dos royalties do pré-sal, que tanto divide os aliados, está incluída?
Campos: A gente tem que definir com muita clareza o conteúdo que essa frente vai representar, para ver aí quem cabe e quem não cabe. A depender das teses que a frente carregue, caberão uns e não outros. Podemos fazer uma frente para enfrentar determinada situação. Se colocarmos temas mais complexos e chegarmos à conclusão de que não dá para ter frente e é melhor ter a vida própria de cada partido, as alianças eleitorais e os projetos dos governos.
Valor: Essa frente seria formada com os quadros da nova geração da política brasileira?
Campos: Essa renovação de quadros ainda não acontece na proporção que gostaríamos que ocorresse até porque a política foi ficando feia e afastando as pessoas de bem que encontraram outra forma de se realizar, de contribuir com a mudança. A gente não consegue animar jovens, trabalhadores, intelectuais e pessoas do povo para participar, disputar mandato e viver vida partidária. Acho que está na hora de usar o voto, a imprensa livre e o debate público para ir limpando a política. Se o Brasil que estamos construindo está mudando de patamar na economia, também tem que mudar de patamar na política, senão não será possível garantir a continuidade desse processo de desenvolvimento e amadurecimento das instituições. Temos que ter a firme preocupação de encantar as pessoas.
Valor: O senhor teve participação muito decisiva na sustentação do governo ao longo das crises políticas dos últimos oito anos. Como o senhor acha que a presidente Dilma vai enfrentar as turbulências políticas que virão?
Campos: O governo terá que manter a mão firme na economia para não deixar que essas turbulências internacionais afetem esse bom momento do Brasil. Com isso você garante a satisfação de quem luta pela sobrevivência. Mas acho que a presidente também terá que conquistar os segmentos de classe média que se expressaram na votação da Marina Silva e que reclamam princípios republicanos na condução da máquina pública, de compromisso com a liberdade de imprensa e com a meritocracia.
Valor: O senhor fala em meritocracia e gestão. Esta é uma plataforma de esquerda?
Campos: Um Estado eficiente pode não ser inclusivo, mas para ter uma gestão mais inclusiva você precisa transformar o gasto ruim do custeio em gasto bom. Vai fazer a triplicação numa faixa de rodovia que poderia aguardar um pouco ou vai optar por uma creche para melhorar a qualidade da educação pública já na educação infantil e diminuir o grau de repetência? Você vai investir em saneamento para quem não pode pagar uma taxa que remunere a empresa que cuida do esgoto? Isso não é fundo perdido, é investimento. É escolher prioridades para a presença do Estado na vida de quem dele precisa.
Valor: Como fica nessa plataforma de esquerda a reforma da Previdência do setor público?
Campos: Discuto a Previdência sem o menor problema, votei na reforma e nunca um eleitor me questionou por isso. Sabemos que não se pode tirar o direito de ninguém porque a constitucionalidade não permite. Mas você vê negado o direito de uma criança que não tem escola e de um cidadão esperando na rua o carro pipa e ninguém se choca com isso. Está mais do que na hora de discutir idade de aposentadoria. Por que quem pega numa colher de pedreiro bem cedo depois de pegar dois ônibus tem um tratamento diferente daquele que o servidor recebe?
Valor: E por que ninguém aceitou discutir isso aí antes da eleição?
Campos: Essa eleição negligenciou a pauta real.
Valor: Isso justifica que a eleição tenha sido sucedida pela ressurreição da CPMF?
Campos: Não precisamos de CPMF, não vamos começar a discutir a saúde pela CPMF porque senão a gente fica nesse debate e não discute a situação real da saúde, a qualidade do gasto, a situação da ação básica, quanto está indo para comprar remédios especiais, quanto vai para as liminares e quanto está sendo dado para remédios que sequer são licenciados no país. O Brasil precisa participar desse debate. O SUS não foi feito para pagar por um procedimento no Acre um valor diferente do que se paga no Rio, em Pernambuco ou no Ceará. É um sistema nacional que não é nacional.
Valor: Não será inevitável uma nova pressão sobre a carga tributária?
Campos: Fui o único governador que, nos últimos quatro anos, não aumentou nenhum tributo nem mandou projeto para a Assembleia nesse sentido. Sem vender nenhum patrimônio público consegui investir em alguns anos quatro vezes a média de governos anteriores. E consegui aumentar o repasse de ICMS para municípios que alcançaram metas na educação e na segurança pública. Tem prefeito que conseguiu dobrar a receita de ICMS. A sustentação fiscal do município dele passa a depender da qualidade do serviço público. Isso muda a cabeça dos prefeitos. Hoje você abre o jornal e tem encontro de prefeito discutindo gestão. Copiamos experiências de consórcios de São Paulo, Minas e do Paraná para que os munícipios possam compartilhar a gestão de um hospital regional, por exemplo.
Valor: Não é uma gestão mais próxima do PSDB do que do PT?
Campos: O PT é o partido mais importante do Brasil. Ninguém pode pensar em fazer política sem o PT e sem reconhecer a importância do partido e de sua militância, mas nós nunca nos confundimos com o PT. Não compartilho de todos os seus amigos e também não sou obrigado a herdar todos os seus adversários em São Paulo ou no Paraná, onde a relação que tenho com o Beto Richa vem ainda da proximidade de dr. Arraes com o José Richa. Em Minas nossa relação com Aécio é tão boa que nos permitiu ter o apoio dele a um quadro do PSB, que é o Márcio Lacerda [prefeito de Belo Horizonte]. Também não posso desconsiderar que o PSDB da Paraíba apoiou a renovação
do Estado proposta pelo PSB nessas eleições, que os dois partidos estiveram juntos na reeleição do Teo Vilela (PSDB) em Alagoas e que em Pernambuco muitos do PSDB estiveram conosco.
do Estado proposta pelo PSB nessas eleições, que os dois partidos estiveram juntos na reeleição do Teo Vilela (PSDB) em Alagoas e que em Pernambuco muitos do PSDB estiveram conosco.Valor: Qual é sua avaliação de Aécio Neves?
Campos: É um talento, um sujeito jeitoso, tem uma capacidade que desenvolveu de acomodar, remediar, checar e formular. Ele tem senso e instinto político. Mas esse projeto a que ele está se propondo agora exige muitos pré-requisitos, um dos quais é o de se dedicar mais a andar e conhecer o país, debater em associação comercial, em fórum de prefeito. Não é de Brasília que vai fazer isso.
Valor: Esse é o projeto do senhor?
Campos: Não, não, meu projeto é entregar o que prometi aqui.
Valor: O senhor talvez seja o governador mais próximo do Lula. O que o senhor acha que ele vai fazer fora da Presidência?
Campos: Vai tirar uns dias de férias e depois volta para montar o instituto. Está interessadíssimo em ajudar e 100% comprometido com o projeto Dilma. Vai viajar muito dentro e fora do país. E não quer voltar a disputar eleições. Está convencido de que dificilmente um presidente pode sair do cargo numa situação melhor do que a que ele está deixando agora.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Triunfo, cidade turística com atrativos naturais é abençoada por Deus. Entretanto, necessita de melhorias em alguns setores da cadeia produtiva para uma melhor prática turística na cidade. Os setores que falo são: na área gastronômica, aos quais é necessário cursos de aperfeiçoamento, tendo em vista que o Sebrae e a Abrasel juntos promovem o "Sabores do Sertão", o qual o Betos Bar e Restaurante merece os parabéns do JET que ganhou o 2° Lugar neste ano com seu prato da casa feito por Vilani. Além do Beto's, outros estabelecimentos como pousadas e restaurantes participaram desta competição ajudando a divulgação de seu produto. Creio que agora sim perceberam a importância da competitividade e aperfeiçoamento profissional nesta área para lucrar.
Melhorias Necessárias
Triunfo, cidade turística com atrativos naturais é abençoada por Deus. Entretanto, necessita de melhorias em alguns setores da cadeia produtiva para uma melhor prática turística na cidade. Os setores que falo são: na área gastronômica, aos quais é necessário cursos de aperfeiçoamento, tendo em vista que o Sebrae e a Abrasel juntos promovem o "Sabores do Sertão", o qual o Betos Bar e Restaurante merece os parabéns do JET que ganhou o 2° Lugar neste ano com seu prato da casa feito por Vilani. Além do Beto's, outros estabelecimentos como pousadas e restaurantes participaram desta competição ajudando a divulgação de seu produto. Creio que agora sim perceberam a importância da competitividade e aperfeiçoamento profissional nesta área para lucrar.
Outro ponto que é necessário trabalhar mais, é prevenir a violência, contrabando, roubos e assaltos. O turista quando sai de sua residência, não deseja ir para um lugar violento, claro! Pois, o que ele quer é descansar, ter sossego. Nossa cidade tem sossego, tem clima agradável, atrativos, calmaria, tudo o que um turista busca em suas férias e/ou em festividades tradicionais de Triunfo. O melhor é que continue como está, e o que tem de bom continuar, pois sabemos que atualmente Rio de Janeiro-RJ está em guerra entre policiais e contrabandistas fruto de uma política de descaso, afastando o turista por anos, não mais sendo um ambiente confiante para o mesmo.
Um melhor trânsito para receber maior fluxo de carros e pessoas, fato de guardas de trânsito não mais sendo vistos na Av. Getúlio Vargas e na Praça Carolino Campos. Como educar o trânsito da cidade se só querem pôr ordem durante festas? Até a procissão da Igreja, a polícia pede para que não estacionem em ruas onde ela irá passar, mas mesmo assim não existe compreensão dos condutores. Essa educação deve ser aos poucos, e assim em tempos de festas não terão tantos problemas e estresse no centro da cidade, evitando maiores problemas.
Estes pontos são simples de melhorar se forem feitos com esforço e cuidado. Já que com pequenas mudanças as conseqüências serão satisfatórias para a população. Então por quê não planejá-las?
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